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Nestas frestas vou a procura do que me compõem, me escorre, me alimenta.
Um blog sobre corpo, experiência somática, o que se encontra e o que escapa por entre as frestas.


Entregar-se
À noite, os pensamentos começam a girar. A mesma pergunta volta por ângulos diferentes. O corpo cansado, a cabeça acordada. Uma tentativa incessante de organizar, prever, entender. Nesse monte de porquês não procuramos exatamente uma verdade, uma resposta suprema, procuramos controle, pois temos medo. Porque algo lá dentro ainda não se sente a salvo.
Karina Copetti
31 de jan.


// Começar pelos pés
Se a vida é coisa que a gente inventa pra viver, deixe-me lembrar a mim mesma de inventar quantos olhos precisar.
Karina Copetti
1 de dez. de 2025


// Pausar em segurança,
A segurança é o terreno da cura. Sem ela, o corpo permanece dividido e preso - entre o impulso de seguir e a necessidade de se proteger.
Karina Copetti
4 de nov. de 2025


// Eu tinha chamado aquilo de Fé
Os poderosos ventos do fim do mundo, vindos da Terra do Fogo, chegaram desarrumando o que estava em fixada ordem e igualmente pronto para perder seu lugar ideal e dar passagem ao mistério. O inverno toca com grandiosidade os limites do corpo. Vai descobrindo nos dedos as concavidades quentes. Tocando poesia úmida, com gosto escuro e bastante doce. Para sentir o calor do inverno são necessários os ossos. Porosos como as noites de lua cheia e incorruptíveis como o testemunho do
Karina Copetti
24 de out. de 2025


// Coisa solitária.
Coisa solitária. Na mais primária de minhas linguagens é assim que definiria um Luto: coisa solitária.
Karina Copetti
17 de out. de 2025


// Aos invisíveis
O que fica tem forma de barulho de casca de pão: invisível. Ao silenciar-se e encostar o ouvido, pode ouvir, jamais ver.
Karina Copetti
6 de out. de 2025


// Não dá para ir sem (se) partir
Na linearidade do calendário gregoriano não fazem trezentos e sessenta e cinco dias daquele outro dia. Precisei ser lembrada por outra mulher. O Direito ao Tempo. A mão dela tocou a minha quando veio ajudar a juntar pedaços. Me deixei cair tentando carregar mais do que conseguia. Chorei de alívio. Enquanto colávamos fragilidade e força, ela nomeou o novo objeto de paz. Chamamos de pazinha. Porque às vezes o diminutivo tem tanta grandeza que precisa daquele inho no final para
Karina Copetti
28 de set. de 2025


// Costura-te
Esse é aquele milagre que um dia escrevi no espelho pedindo que acontecesse.
Karina Copetti
6 de ago. de 2025


// Para minha avó Elisa,
O fio do sonho me deslizou suave e bonito por entre os dedos.
Karina Copetti
16 de mai. de 2025


// Silêncio
Do topo da montanha, fecho os olhos e foco minha dor no consolo desse silêncio.
Karina Copetti
18 de out. de 2024


// Corpo é o Agora
Antes ou depois. Entre as pernas, Corpo, é agora.
Karina Copetti
13 de set. de 2024


// O processo é Gerúndio
As janelas abrem-se e fecham-se tantas vezes ao longo desse espiral que chamamos tempo. O processo é gerúndio.
Karina Copetti
30 de ago. de 2024


// Pelo Amor: Salvar-se.
As paredes úmidas escorrendo água. As sete noites que não durmo e, ainda assim, sou salva.
Karina Copetti
23 de ago. de 2024


// Uma casa de Vínculos
Dessa vez não. Não estou disposta a empilhar-me sozinha. Pariu-se uma casa de vínculos.
Karina Copetti
16 de ago. de 2024
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