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Nestas frestas vou a procura do que me compõem, me escorre, me alimenta.
Um blog sobre corpo, experiência somática, o que se encontra e o que escapa por entre as frestas.


// Eu tinha chamado aquilo de Fé
Os poderosos ventos do fim do mundo, vindos da Terra do Fogo, chegaram desarrumando o que estava em fixada ordem e igualmente pronto para perder seu lugar ideal e dar passagem ao mistério. O inverno toca com grandiosidade os limites do corpo. Vai descobrindo nos dedos as concavidades quentes. Tocando poesia úmida, com gosto escuro e bastante doce. Para sentir o calor do inverno são necessários os ossos. Porosos como as noites de lua cheia e incorruptíveis como o testemunho do
Karina Copetti
24 de out. de 2025


// Coisa solitária.
Coisa solitária. Na mais primária de minhas linguagens é assim que definiria um Luto: coisa solitária.
Karina Copetti
17 de out. de 2025


// Aos invisíveis
O que fica tem forma de barulho de casca de pão: invisível. Ao silenciar-se e encostar o ouvido, pode ouvir, jamais ver.
Karina Copetti
6 de out. de 2025


// Não dá para ir sem (se) partir
Na linearidade do calendário gregoriano não fazem trezentos e sessenta e cinco dias daquele outro dia. Precisei ser lembrada por outra mulher. O Direito ao Tempo. A mão dela tocou a minha quando veio ajudar a juntar pedaços. Me deixei cair tentando carregar mais do que conseguia. Chorei de alívio. Enquanto colávamos fragilidade e força, ela nomeou o novo objeto de paz. Chamamos de pazinha. Porque às vezes o diminutivo tem tanta grandeza que precisa daquele inho no final para
Karina Copetti
28 de set. de 2025


// Costura-te
Esse é aquele milagre que um dia escrevi no espelho pedindo que acontecesse.
Karina Copetti
6 de ago. de 2025


// Para minha avó Elisa,
O fio do sonho me deslizou suave e bonito por entre os dedos.
Karina Copetti
16 de mai. de 2025
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